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História de Belver

castelo de Belver

"Belver era Guidintesta
não há igual a esta
Num cantinho cheio de amor
as casas todas branquinhas
Fazem lembrar capelinhas
Onde se reza ao senhor…"
Marcha de apresentação do Rancho Folclórico
e etnográfico de Belver (extracto)

Os versos singelos acima transcritos servem de intróito para vos falar de uma terra secular, de paisagens magníficas e com um património artístico e natural não tão conhecido como seria justo. Belver é uma vila acastelada, debruçada sobre o Tejo, terra de olivais e vinhas em socalco. Plantada em solo beirão, mas "namorando" o Alentejo a que está ligada por uma ponte rodoviária sobre o rio, construída em 1905.
Foi povoada desde tempos imemoriais, da pré-história aos nossos dias, e dessas épocas remotas existem testemunhos que atestam tão longa memória – a Anta do Penedo Gordo na localidade de Torre Fundeira (pertencente à freguesia de Belver), achados romanos de diversa índole onde abundam as moedas e se destaca o bastão de Belver, cuja memória descritiva consta de vários livros de natureza arqueológica, bem como diversas inscrições epigráficas encontradas em propriedades rurais da região.

Nos anos 60, foi destruída uma ponte romana sobre a ribeira de Belver de que o autor deste artigo bem se lembra e obviamente substituída por um mamarracho, de cimento, que ainda lá se encontra. É, no entanto, do período medieval o monumento mais emblemático da vila – o castelo altaneiro, edificado em pleno período da Reconquista Cristã e perfeitamente integrado no que convencionou chamar-se "a linha defensiva do Tejo", que integra também as fortificações de Almourol, Amieira do Tejo, para já não falar de Santarém e Abrantes, após as conquistas aos mouros.

A carta de doação das terras de Guidintesta à ordem de S. João do Hospital, datada de 13 de Junho de 1194 e, citando José Carlos Lobato na Monografia da Antiga Vila de Belver, a construção do castelo foi decerto acelerada pela aproximação do perigo muçulmano sabendo-se que quando da morte de D. Sancho I estava já concluído. Isto porque, no testamento daquele nosso segundo rei, datado de Outubro de 1210, se indica que uma parcela do tesouro da Coroa em grande parte destinado ás obras da Igreja de Santa Cruz em Coimbra, no valor total de 503.000 maravedis de ouro e 60.400 marcos de prata, estava guardado no Castelo de Belver".

A casa mãe da Ordem de S. João do Hospital na Península Ibérica situou-se em Castela; posteriormente a sede em Portugal foi em Leça do Balio e mais tarde transferida para o Crato, onde D. Sacho I mandou construir Castelo por carta de doação aos freires hospitalários em 1232. Já no século XIV, e ainda segundo a referida monografia, a sede da Ordem dos Hospitalários em Portugal situava-se nesta Vila Alentejana onde entretanto se ergueu o Mosteiro de Flor da Rosa, hoje transformado em pousada. Durante a crise de 1383/1385, Belver tomou partido de Leonor de Teles contra Mestre de Avis, que o mesmo é dizer das pretensões de D. João I de Castela a D. Beatriz ao trono de Portugal.
D. Manuel concede-lhe foral novo em 18 de Maio de 1518. Data também do século XVI a construção da Igreja Matriz, modesto monumento em honra de Nossa Senhora da Visitação. Talvez o aspecto mais interessante da Igreja seja o painel do Altar das Almas, retratando S. Miguel no Purgatório, e atribuído a Pedro Alexandrino, pintor que possuiu importante oficina na segunda metade do século XVIII, sendo também o autor do retábulo do altar-mor da Sé de Lisboa.

De referir ainda no altar da capela de São Brás, no castelo, datada dos finais do século XVI, a existência de um curioso retábulo em madeira, oferta do Infante D. Luís (filho de D. Manuel I e pai de D. António Prior do Crato), que foi Grão-Prior do Hospital. Foi igualmente este Infante que ofereceu à dita capela o cofre com as Santas Relíquias trazidas da Terra Santa, e que se encontra hoje na Igreja Matriz, sendo objecto de devoção popular e é em seu nome que se realizam as festas anuais no mês de Agosto.
O castelo e a igreja foram vandalizados por ocasião das invasões Francesas e algumas jóias constantes no cofre desapareceram. De referir por fim, a bonita capela da Senhora do Pilar, recentemente restaurada, edifício votivo mandado erigir em propriedade privada já no século XIX e que possui no tecto uma pintura a fresco, também objecto de restauro recente.

Em síntese, estes são apenas alguns dos motivos de interesse patrimonial da Antiga Vila de Belver, que aguarda pacientemente a vossa visita, não tendo outra pretensão que não seja a de vos "aguçar o apetite" para um passeio às Terras de Guidintesta.


Carlos Grácio (adaptado).

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